Comissão de Ordem Social integra grupo de discussão que propõe e adota medidas para preservação dos recursos hídricos. Em dezembro, o Legislativo ainda aprovou o Programa Municipal de Conservação das Águas
A Câmara Municipal participa da mobilização desde o segundo semestre de 2014, quando a Comissão de Ordem Social transformou o debate em tema de audiência pública e ações conjuntas com órgãos públicos e setores da sociedade civil organizada. Atualmente, os trabalhos são desenvolvidos em parceria com órgãos da Prefeitura, Copasa, Polícia Militar do Meio Ambiente, Emater, Acipa e agentes da iniciativa privada. O grupo se reúne uma vez por semana para discutir medidas para recuperação dos mananciais degradados, formas de mitigar o desperdício e reforçar a segurança hídrica do município.
“Desde o ano passado, algumas comunidades rurais já enfrentam dificuldades de abastecimento. É uma realidade nova para uma população que está acostumada a ter água em abundância”, observa o presidente da Comissão de Ordem Social, Mário de Pinho. O vereador relaciona dois questionamentos que aguardam respostas urgentes do poder público e da sociedade: “Como podemos economizar água e como preservar o que temos?”, propõe.
Como relata o vereador, das discussões do grupo resultaram ações concretas, como o plantio de mudas para reflorestamento de trechos das margens do Rio Mandu e a colocação de cercas, também no entorno do rio, para evitar o depósito de resíduos nas proximidades de seu leito. “Agora formamos uma comissão para remeter à Agência Nacional das Águas e ao Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) uma carta, consultando sobre quais medidas esses órgãos nos aconselham a adotar mediante o atual quadro hídrico do município”, relata o vereador.
Necessidade de mobilização
Para especialistas e atores envolvidos nos debates em torno da crise hídrica não há receita pronta ou fórmula mágica. Enfrentar a escassez crescente do líquido mais precioso para a vida requer uma ampla mobilização social, onde órgãos públicos, iniciativa privada e sociedade assuma cada qual a sua responsabilidade.
Relator da Comissão de Ordem Social, o vereador Wilson Tadeu Lopes lembra que em 2014 o trabalho desempenhado pelo grupo foi voltado para ações de recuperação e conservação dos recursos hídricos. Para ele, o grande desafio para alcançar ganhos em escalas maiores é mobilizar a população em torno de objetivos comuns. “A água é um bem que não tem preço e se cada um de nós não utilizá-la com consciência, poderemos enfrentar dificuldade de abastecimento neste e nos próximos anos”, considera.
Militante experimentado das causas ambientais, o vereador Maurício Tutty acredita que ainda está em tempo de a sociedade fazer uma reflexão profunda acerca da urgência da preservação dos recursos hídricos. “É um debate que toda sociedade precisa fazer. Ainda está em tempo. Não espere acabar a água na sua torneira para se preocupar”, atenta.
Ex-secretário de Meio Ambiente do município, Maurício é autor do Programa Municipal de Conservação das Águas. Aprovado pela Câmara em dezembro de 2014 e sancionado pelo Executivo na sequência, a lei regulamenta o uso racional e reaproveitamento das águas, as medidas necessárias para conservação e redução do desperdício, além da utilização de fontes alternativas para a captação.
Para o presidente da Câmara, o vereador Rafael Huhn, toda vez que a Câmara se posiciona de maneira tão propositiva em relação a grandes temas, especialmente aqueles mais urgentes, há uma grande chance de se chegar a soluções legítimas, sustentadas no debate técnico e político de qualidade. “A mobilização e o debate promovidos pela comissão da Câmara e vereadores em torno da crise hídrica é um exemplo de como o parlamento pode ser protagonista de grandes transformações sociais”, considera Huhn.
Nenhum comentário:
Postar um comentário